Família de cultivadores de acaí na desembocadura do rio
Amazonas. Mais de 30 milhões de pessoas vivem na Amazônia e
dali obtêm seu sustento.

O desmatamento nos deixa sem fôlego

Fonte de vida e conhecido como o “pulmão do mundo”, o Bioma Amazônico, formado por diversos ecossistemas nos quais confluem rios, lagos, selvas, florestas e savanas, entre outros, possui uma imensa e rica biodiversidade formada durante milhões de anos que se encontra agora quase à beira de um colapso. A perda e degradação da floresta e sua biodiversidade deixaram o bioma menos resistente, precisamente quando o clima começa a mudar rapidamente e aumentam as temperaturas e a incidência de secas, incêndios e inundações. Isso por sua vez implica em uma ameaça ao gênero humano: sem pulmão, não há vida.

A evidência de civilizações antigas na Amazônia nos ensina que a situação deveria ser diferente, que os seres humanos podem ter uma simbiose e uma relação harmoniosa com a floresta. Os povos indígenas da bacia e os povos ribeirinhos que vivem hoje da extração sustentável podem nos ajudar a imaginar outro cenário no qual o Bioma seja valorizado e protegido pelo que ele produz com uma eficiência sem igual: água, oxigênio e vida.

 

Uma visão comum: a Amazônia somos todos nós

Devemos preservar pelo menos 80% da Amazônia, e para isso existe somente uma solução. Identificar, fortalecer e vincular iniciativas são os três passos básicos que devem surgir de uma visão compartilhada do Bioma Amazônico como algo único e indivisível.

A Fundación Avina e seus parceiros trabalham para evitar um colapso e contribuir para a preservação do Bioma Amazônico a fim de garantir a sustentabilidade do ecossistema e, consequentemente, uma qualidade de vida adequada. Duas conclusões nos parecem fundamentais. Por um lado, é indiscutível que os atores locais são os atores principais, que deverão assumir a liderança, definir prioridades e acordar estratégias locais. Por outro lado, reconhecemos que a ação no nível local é somente uma solução parcial para um problema global; por isso, é necessário criar uma visão comum e uma cultura de colaboração e sistematização de ações entre organizações e líderes nos nove países nos quais o Bioma Amazônico está localizado.

É indispensável conseguir o comprometimento de parceiros internacionais para fortalecer a liderança local e colocar os líderes em contato com as melhores ideias e tecnologias mais avançadas do mundo. É por isso que a Fundación Avina investe em construir e consolidar o capital social, o potencial e a prática de colaboração, com o qual aspira à criação de agendas de ação compartilhadas entre organizações, países, comunidades e doadores. Somente a ação combinada de vários agentes pode alterar a rumo da região. A estratégia que a Avina desenvolveu com seus parceiros está focada em fortalecer a transparência florestal, incentivar uma nova economia ambiental compatível com a preservação da floresta amazônica e promover a valorização das culturas e o conhecimento das comunidades da região.  

 

Para a criação de uma cultura de colaboração

Como podemos estimular a colaboração entre os países? Em uma região tão imensa e compartilhada por nove países, não é fácil. No relatório A Amazônia e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, publicado pela Articulação Regional Amazônica (ARA), em 2011, chega-se à conclusão de que, em relação ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio estipulados para 2015, ainda há muita diferença de resultados entre os países que formam a Amazônia, assim como uma variação importante dentro de um mesmo país. Este é um indicador de que os países ainda trabalham de forma muito isolada para o progresso da região.

Em novembro de 2011, foi dado um passo importante para o estabelecimento de uma colaboração inter-regional com a realização, em Belém, capital do Pará (Brasil), do V Encontro Anual do Fórum Amazônia Sustentável: Cenários e Perspectivas da Pan-Amazônia. Este evento, organizado conjuntamente pelo Fórum Amazônia Sustentável e a ARA, e apoiado pela Fundación Avina, entre outros, reuniu pesquisadores, líderes da região, representantes de comunidades indígenas, empresários e organizações socioambientais. Nesse encontro, pela primeira vez esses atores se reuniram com o objetivo de discutir as tendências na Pan-Amazônia, enfatizar a interdependência dos países da região e formular ações em conjunto a partir de uma visão comum voltada para o desenvolvimento sustentável. Este é o primeiro passo para uma nova proposta que se propõe a gerar espaços e mecanismos de cooperação e intercâmbio entre os membros da sociedade civil dos países da região para poder articular uma frente comum que elimine fronteiras e gere soluções.

A Fundación Avina participou da criação do Fórum Amazônia Sustentável e da ARA, em 2007, e continua apoiando e participando nas duas associações para facilitar a execução de ações e projetos conjuntos no Bioma Amazônico.

 

 

Através do projeto “Municípios Verdes”,
várias cidades localizadas dentro dos
limites do Bioma Amazônico reduziram
consideravelmente seus níveis de
desmatamento.

Aliados locais em busca de uma solução global

Há três anos, em Paragominas, município localizado no estado do Pará, foi implementado o projeto “Municípios Verdes”. Atualmente, 92% de seu território faz parte do Registro Ambiental Rural. A cidade foi a primeira a ser retirada da lista do Ministério do Meio Ambiente que registra os municípios que causam maior dano florestal na região amazônica. Isso lhes permitiu acesso a créditos para a atividade agrícola e produtiva. A experiência realizada em Paragominas ajudou a Imazon, organização parceira da Avina, a elaborar o guia “Municípios Verdes”, destinado a estimular outras instituições desse tipo a unirem-se ao projeto. Até agora, o projeto já conta com onze novas adesões. A Avina apoiou essa iniciativa através da Imazon, e também gerou vínculos com o governo do estado do Pará e dos municípios envolvidos.

Por outro lado, o município de Querência, localizado no estado do Mato Grosso, deu mostras da incidência que os líderes locais têm na geração de soluções abrangentes. Há aproximadamente dois anos, essa região era conhecida por seu alto índice de desmatamento, o que a colocou na lista vermelha do governo brasileiro como um dos 42 municípios com maior nível de desmatamento do país. Para sair dessa situação, foram estabelecidas parcerias entre o governo municipal, a sociedade civil e os produtores rurais de Querência.

O Instituto Socioambiental (ISA) foi o primeiro grande parceiro nesse propósito e conseguiu conquistar o respeito dos produtores rurais e demonstrar que essa parceria poderia gerar resultados positivos para os produtores. Depois de um árduo trabalho por parte desses atores, o município de Querência reduziu significativamente o nível de desmatamento registrado nos últimos dez anos e foi o segundo município, depois de Paragominas, a ser retirado da lista vermelha. Para alcançar a sustentabilidade, o município já começou a implementar um processo de reflorestamento da área. Em parceria com o ISA, e por meio da campanha “Y IkatuXingu”, os produtores rurais da região reflorestarão mais de 100 hectares em margens de rios e mananciais.

A Fundación Avina, através da iniciativa institucional “Municípios Verdes”, apoia financeiramente o ISA em vários projetos no Mato Grosso, inclusive os projetos em Querência. Essa ação faz parte de um conjunto de atividades apoiadas pela Avina e outras organizações para colaborar com os prefeitos e comunidades da região na busca de formas de desenvolvimento que coexistam em harmonia com o Bioma. A Avina acompanha e monitora os avanços nesses municípios, promovendo a articulação entre eles e o intercâmbio de experiências entre as prefeituras e organizações da sociedade civil, não somente no Mato Grosso, mas também em outros estados amazônicos do Brasil e também em outros países da bacia.

Localizar, fortalecer e conectar iniciativas de mudança no Bioma Amazônico é um desafio. Esses são alguns dos muitos resultados que vimos em 2011, os quais indicam que o fortalecimento de atores locais, a articulação de uma visão comum e a colaboração inter-regional são elementos fundamentais na luta pela criação de uma nova cultura de prosperidade sustentável na região amazônica.

Nossos principais parceiros continentais e coinvestidores para essa oportunidade são:
  • Skoll Foundation, com a qual temos uma parceria para mitigar as mudanças climáticas por meio da preservação do Bioma Amazônico e seus serviços ambientais associados.
  • Climate and Land Use Alliance, para promover a redução de emissões causadas pelo desmatamento no Brasil.
  • ARA – Articulação Regional Amazônica, para promover a articulação de parceiros amazônicos que discutam alternativas para a conservação da bacia, nos níveis nacional e pan-amazônico.
  • Rede Latino-Americana do Ministério Público Ambiental, para promover a articulação e intercâmbio de experiências entre promotores de justiça do meio ambiente que enfrentam em seus países casos similares de pressões de desenvolvimento insustentável sobre a Amazônia.
  • Fórum Amazônia Sustentável, para promover o fórum mais importante de debate inter-setorial de modelos de desenvolvimento para a Amazônia.
  • RAISG – Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada, como um espaço de troca e articulação de informações socioambientais georreferenciadas para processos que vinculam positivamente os direitos coletivos à valorização e sustentabilidade da diversidade socioambiental na região Amazônica.
  • GTA – Grupo de Trabalho Amazônico, para promover a participação de mais de 600 organizações das comunidades da Amazônia brasileira nas políticas de desenvolvimento sustentável, reconhecendo que a cooperação dos povos nativos e tradicionais é essencial para alcançar a sustentabilidade.
  • Movimento “Municípios Verdes”, para promover a sustentabilidade na prática através da gestão territorial local, promovendo a mudança de uma economia que destrói a natureza para uma economia verde.
  • Rede LAC – Rede de Fundos Ambientais para a América Latina e Caribe, na promoção da ferramenta ECOFUNDS, que visa à ação coordenada de fundos ambientais e outros financiadores em seus esforços para a conservação da biodiversidade.

 

 

O relatório “A Amazônia e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”, publicado pela Articulação Regional Amazônica (ARA) em 2011 com o apoio da Avina, analisa o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio estipulados para 2015 na região da Amazônia. Baixe o relatório aqui.